Os muçulmanos não duvidavam de um Templo judeu em Jerusalém

Elisabeth Hausen

Muitos muçulmanos negam que tenha existido um Templo judeu no monte do Templo em Jerusalém. Com isso, querem reforçar seu direito de posse sobre o local, onde estão a importante mesquita al-Aqsa e o domo da Rocha. Mas isso nem sempre foi assim, como mostra um documento que veio a público há algum tempo.

Um guia turístico, publicado em 1925 pelo waqf (entidade islâmica) em língua inglesa, fala com naturalidade da tradição judaica, atribuindo-lhe idoneidade e credibilidade.

Na página 4, o livrete fala do monte do Templo, que os muçulmanos chamam de “Haram a-Sharif”:

Esse local é um dos mais antigos do mundo. Sua santidade remonta aos tempos mais antigos (talvez pré-históricos). Sua identificação com o lugar do templo de Salomão é incontestada. Esse também é, segundo a tradição comum, o lugar do qual está escrito: “Edificou ali Davi um altar ao Senhor e apresentou holocaustos e ofertas pacíficas. Assim, o Senhor se tornou favorável para com a terra, e a praga cessou sobre Israel”.

Aqui o waqf citou 2 Samuel 24.25. Na página 16, o guia descreve os estábulos de Salomão:

Esta é uma câmara subterrânea extensa [...] Sobre a história antiga da câmara pouco se conhece de exato. Provavelmente, ela data até da construção do templo de Salomão. Conforme Josefo, ela existia e era usada como lugar de refúgio pelos judeus no tempo da conquista de Jerusalém por Tito, no ano 70 d.C.

No caso, o waqf se baseou no historiador judeu Flavio Josefo, que viveu no primeiro século.

Mudança na década de 90

Portanto, em 1925 até representantes muçulmanos oficiais não manifestavam qualquer dúvida acerca da tradição judaica e do que a Bíblia diz sobre o monte do Templo. Fazia parte da cultura geral saber que ali houve um santuário levantado pelo rei Salomão. Mas, em 1997, começou uma “campanha para convencer o mundo de que a conexão natural e milenar entre Jerusalém e os judeus não era verdadeira”. O mais alto clérigo islâmico da Autoridade Palestina (AP) na época, o mufti (autoridade islâmica) Ikrama Sabri, declarou:

A afirmação de que os judeus têm direito sobre Jerusalém é falsa, e nós não reconhecemos nada além de uma Jerusalém completamente sob controle islâmico.

O líder do movimento árabe-israelense “Movimento Islâmico”, Raed Salah, disse em 2006:

Lembramos pela milésima vez que toda a mesquita al-Aqsa, com todo o terreno e as passagens acima e abaixo da superfície, são propriedade muçulmana exclusiva e absoluta. Ninguém mais tem direito sequer a um torrão de terra deste lugar.

Um meio na luta contra o Deus de Israel

O rabino Chaim Richman, do “Instituto do Templo”, comentou o achado desse documento histórico:

Nos últimos anos o waqf muçulmano passou a negar a existência histórica do santo Templo. Ele afirma que o monte do Templo pertence unicamente à nação islâmica e que não há ligação entre a nação judaica e o monte do Templo. O livrete mostra que a postura revisionista do waqf se desvia do tradicional reconhecimento islâmico da história antiga do monte.

Conforme o rabino, a negação da realidade histórica seria apenas um meio “na guerra dos muçulmanos” contra o Deus de Israel e contra todo o mundo “infiel”. (Elisabeth Hausen — www.israelnetz.com — Beth-Shalom.com.br)

Para ler e baixar o guia sobre o monte do Templo (em inglês), clique aqui

As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores.

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