Entrevista
Autêntico
e corajoso - o escritor árabe Youssef
Samir
O
escritor árabe e cidadão israelense Youssef Samir (63 anos) ficou
64 dias em cativeiro palestino em 2001. Samir, que nasceu no Egito, foi seqüestrado
em Beit Jalla pela polícia secreta palestina, tendo sido submetido a
interrogatórios e torturas.
Sua saída da prisão em Belém foi, na verdade, o resultado de negociações entre Israel e Arafat e não uma fuga propriamente dita. Reunindo suas últimas forças, ele conseguiu caminhar do cativeiro até o posto militar israelense junto a Belém, onde, cheio de alegria, beijou o solo de Israel. Isso ocorreu depois do líder palestino ter mentido o tempo todo, dizendo que desconhecia o paradeiro de Samir.
Apesar da sua entrevista ter sido concedida bem antes da operação Muralha de Defesa, suas colocações são importantes para entender a realidade do povo palestino.
Pergunta: Senhor Samir, qual foi a verdadeira razão de seu seqüestro pela polícia da Autoridade Palestina?
Samir: Isso eu também não sei. Na prisão sempre exigiam que eu assinasse um documento. Quando eu perguntava o que era, eles diziam que eu sabia o que eles queriam. Finalmente, disseram-me que eu deveria assinar uma confissão de que eu espionara para Israel. Também fui interrogado sobre a razão de ser amigo de políticos israelenses, por exemplo, do ministro da Defesa Benjamin Ben Elieser, de Menahem Begin e Haim Herzog.
Pergunta: Onde o senhor ficou encarcerado esse tempo todo?
Samir: Estive preso em Belém, no prédio que foi a sede administrativa do Exército israelense e depois passou a ser ocupado pelo Serviço Secreto palestino. Ali os Tanzim (terroristas palestinos) e outros oficiais do serviço secreto me interrogaram e torturaram.
Pergunta: O senhor tinha esperanças de ser libertado?
Samir: Eu chorava de dor e imaginava que não iria sobreviver ao brutal cativeiro na Autoridade Palestina. Pela primeira vez em minha vida tive medo da morte.
Pergunta: Na sua opinião, Israel se empenhou suficientemente por sua libertação?
Samir: Eu quero dizer em alta voz que Israel é o povo escolhido. Deposito toda a minha confiança nesse pequeno país, que amo de todo o meu coração.
Pergunta: Os seqüestradores não tiveram compaixão com o senhor, apesar de sua idade?
Samir: Vi em seus olhos apenas o quanto eles odeiam Israel. Eu amo os palestinos simples, as famílias que querem viver em paz. A população palestina sofre nas mãos do regime de Arafat e dos terroristas (Tanzim) da Fatah; muitos desejam o retorno da administração israelense. Vocês nem imaginam quantos palestinos são mortos pelo pessoal de Arafat. O grupo de palestinos (OLP) que veio da Tunísia com seu mentiroso chefe Arafat está acabando com tudo. O mundo precisa saber disso!
Pergunta: Mas o mundo pressiona Israel a negociar com Arafat.
Samir: O erro dos judeus foi fazer de Arafat o que ele é hoje, da mesma forma como Israel errou em apoiar o Hamas como contrapeso à OLP na primeira intifada. Quem é Arafat? Ele é um nada e pode ser facilmente derrotado. Eu aconselho Israel a reconquistar os territórios palestinos. Creiam-me, eu não sou o único a pensar dessa maneira. Depois de tudo que passei, é minha obrigação dizer a verdade sobre Arafat e sua quadrilha.
Pergunta: Em outras palavras, o senhor agiria com mais rigor em relação ao regime de Arafat?
Samir: Com toda a certeza! Arafat é e continuará sendo terrorista. O Exército israelense deveria isolar os territórios palestinos de Belém, Beit Jalla e Bet Sahur até que parem os ataques e tiroteios a partir dali. Mas Israel sempre leva em consideração a população inocente, as igrejas e as mesquitas, o que acaba sendo fatal para Israel. Assim é o coração judeu! Israel quer ser um anjo no meio da batalha, mas não vê que comete uma tolice, pois Arafat continua matando sem se importar com nada.
Pergunta: Como escritor profundamente identificado com o povo palestino, diga-nos: o que sente esse povo?
Samir: Estou disposto, a qualquer momento, a apresentar-lhe famílias palestinas, para que você ouça da boca das pessoas comuns, da rua, o que elas pensam de Arafat. Elas odeiam Arafat, mas estão indefesas. Eu me encontrava no centro de Jerusalém, na rua dos Profetas, quando um palestino explodiu a si mesmo. Uma mão decepada caiu diante dos meus pés, e por quê? Porque ele sofreu lavagem cerebral e morreu pensando que ganharia o paraíso com esse ato terrorista.
Pergunta: Conforme os acordos de Oslo, Arafat deveria impedir esse tipo de ataque, pois foi para essa finalidade que ele recebeu armamentos de Yitzhak Rabin!
Samir: Esse foi um dos maiores erros de Israel. Como é que Israel pôde acreditar que Arafat iria combater com armas israelenses o terrorismo que ele mesmo fomenta?
Pergunta: Na África do Sul (na Conferência Internacional sobre Racismo em 2001) o sionismo foi equiparado ao racismo. Como o senhor, que é muçulmano, vê essa condenação?
Samir: Isso é totalmente absurdo. Arafat é um assassino e ditador; mas ele prega ao mundo sobre direitos humanos e todos o aplaudem. Isso é inacreditável.
Pergunta: Nos territórios da Autoridade Palestina as críticas a Arafat têm aumentado. Por que ninguém o tira do cargo?
Samir: Já fiz essa pergunta muitas vezes a mim mesmo no passado. Fico com pena do povo palestino. Por medo de Arafat, as pessoas pensam que devem jogar pedras nos judeus. Elas não têm coragem de derrubar Arafat. Essa mentalidade é o resultado das tiranias árabes.
Pergunta: Mesmo assim, parece que no exterior há mais compreensão para Arafat do que para Israel.
Samir: O mundo está simplesmente cego. Mas Israel também tem culpa nesse sentido. Shimon Peres se iludiu quando pensou que conseguiria mudar os árabes, e acabou arrastando Israel para uma armadilha política. Os esquerdistas como Peres e Yossi Sarid são todos muito ingênuos. Confio unicamente em Ariel Sharon. Quando foi assinado o acordo de paz entre Israel e o Egito, eu estava sentado junto de Menahem Begin e Anuar Sadat, e ouvi Begin dizendo a Sadat: You can take Gaza today, just now! [Você pode ficar com Gaza hoje, agora mesmo!] E o que respondeu Sadat? Thank you Mr. Prime-Minister, you can keep it for yourself! [Obrigado, senhor primeiro-ministro, você pode ficar com ela!] (israel heute - http://www.beth-shalom.com.br)
