Entrevista
O mufti de Jerusalém - palavras que não deixam dúvidas

O mufti de Jerusalém, xeque Ikrima Sabri

A retórica fica cada vez mais contundente quando se discute o controle dos lugares santos em Jerusalém. O mufti de Jerusalém (autoridade muçulmana suprema da cidade), xeque Ikrima Sabri, concedeu uma entrevista ao jornal alemão "Die Welt" em que deixou bem clara sua opinião de que os judeus não têm qualquer vínculo com esses locais. Transcrevemos alguns trechos da entrevista que revela o pensamento islâmico.

Die Welt: A mesquita Al Aksa deu seu nome à onda de violência que irrompeu no Oriente Médio. Conforme uma declaração do rabinato-mor em 4 de janeiro, a lei judaica proíbe "a entrega, direta ou indiretamente, da soberania sobre o monte do Templo a estrangeiros", por se tratar do lugar mais sagrado para o povo judeu. Apenas quatro dias mais tarde, o senhor declarou o local inteiro como absolutamente muçulmano. Essa é uma contradição insolúvel?

Xeque Sabri: Não existe o menor indício da existência de um templo judeu nesse lugar no passado. Em toda a cidade de Jerusalém não se acha sequer uma pedra que demonstre que ela teve um passado judaico. Nosso direito, ao contrário, é muito claro. Esse lugar já nos pertence há 1500 anos. Mesmo quando os cruzados conquistaram a terra, a esplanada das Mesquitas ficou sendo a área da Al Aksa, e logo a recebemos de volta. Mas os judeus nem sequer sabem com exatidão onde seu templo estava localizado. Por isso não lhes damos nenhum direito sobre este local, nem acima do solo, nem abaixo dele.

Die Welt: Os arqueólogos são unânimes em afirmar que o Muro das Lamentações fazia parte do fundamento do templo de Herodes. A Bíblia e muitas outras fontes históricas mencionam esse lugar com riqueza de detalhes. Por que o senhor não respeita a ligação que existe entre esse lugar e os judeus?

Xeque Sabri: Não se conseguirá enganar-nos com essas afirmações. Não existe uma única pedra do Muro das Lamentações que tenha qualquer relação com a história judaica. Os judeus não têm o direito de reivindicar esse muro, quer seja pelo aspecto histórico ou religioso. A partir de 1930 um comitê das Nações Unidas recomendou que permitíssemos aos judeus orarem ali para que eles parassem de incomodar, mas de forma alguma reconheceu que o muro lhes pertence.

Die Welt: Por que o senhor não permite que cientistas israelenses façam escavações procurando por eventuais vestígios que comprovem ou neguem a existência de um templo judeu nesse local?

Xeque Sabri: Rejeitamos qualquer escavação debaixo da mesquita Al Aksa porque isso afetaria a segurança dos prédios históricos na esplanada. Além disso, os judeus já escavaram por tudo. A única coisa que conseguiram encontrar foram ruínas do tempo dos omíadas. Tudo que desenterraram tem relação com os árabes e com os muçulmanos.

Die Welt: O senhor concordaria com a internacionalização de Jerusalém como tentativa de solucionar os problemas que parecem insolúveis?

Xeque Sabri: Para nós uma Jerusalém internacionalizada seria pior que a Jerusalém sionista. Pois então não teríamos que lidar apenas com um país, mas teríamos o mundo inteiro contra nós. Seria um retrocesso ao tempo do colonialismo.

Die Welt: Em uma "fatwa" (decisão legal islâmica – N. T.) de julho passado o senhor explicou: "Insistimos no direito de retorno de todos os refugiados de 1948 e proibimos que eles aceitem compensações pela Terra Sagrada, pois não há preço que a pague." Que fronteiras tem a Terra Sagrada da qual o senhor falou?

Xeque Sabri: É óbvio que existe lugar para os judeus que viviam aqui na época. Mas os judeus que vieram do mundo todo para cá devem retornar para os lugares de onde vieram. Os judeus da Alemanha devem voltar à Alemanha (risos). Vocês amam tanto os judeus.

As afirmações do mufti de Jerusalém são muito claras e não deixam dúvidas. Qualquer pessoa de bom-senso chegará à conclusão de que, nessas condições, jamais será alcançada a paz com os palestinos. Os israelenses não são os culpados por não ter havido um acordo entre as duas partes até hoje – os culpados são os palestinos. As palavras acima exemplificam muito bem essa realidade. Paz verdadeira só será trazida pelo Príncipe da Paz, Jesus Cristo! (Conno Malgo - http://www.Beth-Shalom.com.br)



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