Naim Ateek acredita que não se pode tomar a Bíblia literalmente. Ele tem um problema especial com a Torá (o Pentateuco), que considera um “texto sionista”, e com os livros de Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, e 1 e 2 Reis – os quais confirmam que Deus deu a terra de Israel ao povo judeu. Ele fala de paz e de não-violência, mas não pede desculpas pelo terrorismo palestino.

De fato, muito da sua retórica com relação a Israel é indistinguível daquela de um palestino muçulmano. Mas Naim Ateek não é muçulmano. Na verdade, ele é um cristão palestino altamente respeitado, educado nos EUA, e ordenado sacerdote episcopal. Com a idade de 75 anos, ele é presidente e diretor do Centro Ecumênico de Teologia da Libertação em Jerusalém, também denominado Sabeel Center (em árabe, “o caminho”), o qual ele ajudou a fundar nos anos 1990.

Ele já escreveu livros e ganhou prêmios; é cidadão israelense e pastor de cristãos palestinos; ele fala em favor do seu povo, do qual diz que se sente marginalizado sob os “israelenses sionistas colonialistas”, que roubaram a terra dele durante a Guerra da Independência em 1948.

Crendo que seu povo não pode aceitar a “perigosa teologia” dos cristãos sionistas,[1] o Dr. Ateek ajudou a desenvolver a Teologia da Libertação Palestina (TLP), a qual ele e o Sabeel Center dizem proporcionar uma maneira relevante de interpretar as Escrituras para os crentes árabes, que precisam de uma dose saudável de encorajamento por morarem em Israel. Hoje, a TLP é a principal doutrina dos cristãos palestinos, enraizando-os e fundamentando-os em uma forma de Teologia da Substituição altamente politizada.

Ativismo Político

A Teologia da Libertação em si não tem nada de novo. Nos anos 1960 ela veio à tona na América Latina, promovida pela Igreja Católica Romana para incentivar os assolados pela pobreza a reagirem contra o plano de desenvolvimento econômico do presidente John F. Kennedy para a América Latina, o qual, conforme acreditava a igreja, iria causar maior injustiça.[2]

Os proponentes da Teologia da Libertação incentivavam o ativismo político contra aqueles que buscavam preservar o sistema de classes. Os líderes do movimento na América Latina manipulavam a mensagem do Evangelho para significar libertação da injustiça política, social e econômica. Como resultado, a teologia se espalhou por todas as denominações cristãs tradicionais e tem sido tipicamente rotulada de uma forma cristã de marxismo.[3]

A Teologia da Libertação inspirou a formação de movimentos sociais e políticos. Nos últimos 20 anos, ela tem emergido como a principal teologia dos cristãos palestinos em Israel porque enfoca a libertação dos desamparados e dos oprimidos.[4]

A Teologia da Libertação Palestina desdenha ostensivamente as promessas eternas de Deus ao povo judeu ao manipular as Escrituras para se encaixarem em suas necessidades.

A questão mais importante contra a qual os cristãos palestinos lutam é a interpretação literal da Bíblia. Antes da criação do Estado de Israel, em 1948, a maioria considerava o Antigo Testamento crucial para as Escrituras. Ele permanecia como uma testemunha e um guia da vinda de Jesus Cristo. Contudo, depois de 1948, os cristãos árabes abandonaram a leitura e pregação do Antigo Testamento porque ele é “sionista” demais para o gosto deles. Em vez de reconhecerem a fidelidade de Deus ao verem as promessas da Aliança Abraâmica serem cumpridas diante dos seus olhos, muitos acharam o Antigo Testamento repugnante e ofensivo.

O Dr. Ateek e o Sabeel Center têm usado a dispensa do Antigo Testamento como uma oportunidade de propagar a TLP, que deseja “dessionistizar” a Bíblia a fim de promover um programa anti-Israel.[5] De fato, a definição que o Sabeel dá à TLP se refere a Jesus como tendo vivido “sob a ocupação” e tenta juntar pessoas para “se posicionarem em solidariedade com o povo palestino”:

A Teologia da Libertação Palestina é um movimento ecumênico de pessoas comuns da sociedade, enraizado na interpretação bíblica cristã e nutrida pelas esperanças, sonhos e lutas do povo palestino. (...) Em uma situação em que a justiça tem sido há muito tempo negligenciada, a Teologia da Libertação Palestina abre novos horizontes de entendimento para a busca de uma paz justa e para a reconciliação proclamada no Evangelho de Jesus Cristo. Ao aprender de Jesus – sua vida sob a ocupação e sua resposta à injustiça – esta teologia espera conectar o verdadeiro significado da fé cristã com a vida diária de todos aqueles que sofrem debaixo de ocupação, violência, discriminação e violação dos direitos humanos. Além disso, este esforço teológico que está desabrochando promove uma conscientização internacional mais acurada sobre a atual situação política e encoraja os cristãos de todo o mundo a trabalharem pela justiça e a permanecerem firmes em solidariedade com o povo palestino.[6]

Acabe e Nabote

O fundamento bíblico usado para a TLP é o relato sobre o rei Acabe e Nabote, que está em 1 Reis 21. Geralmente, a Teologia da Libertação usa o êxodo dos israelitas do Egito para estabelecer sua mensagem de liberdade da opressão política. Mas, para os palestinos, o Êxodo é demasiadamente pró-Israel. Portanto, o Dr. Ateek ensina como Acabe, rei de Israel, e sua malvada esposa, Jezabel, assassinaram Nabote por causa da terra que este possuía e como o Senhor enviou-lhes o profeta Elias para pronunciar o julgamento sobre eles. A morte deles finalmente proporcionou a justiça divina que Nabote merecia.

A interpretação que o Dr. Ateek faz de 1 Reis 21 retrata o rei Acabe como sendo o moderno Estado de Israel, roubando a terra dos palestinos, que são protagonizados como o determinado Nabote. Ele prega que está chegando o dia em que Deus julgará Israel pelo que Ateek diz ser o abuso contra os árabes, e a justiça divina prevalecerá para aqueles que sofreram nas mãos dos israelenses sionistas.

Para o Dr. Ateek, Nabote é a história de todos os cristãos palestinos. Ele disse: “A morte e o despojamento de Nabote e sua família de suas terras têm sido realizados novamente milhares de vezes desde a criação do Estado de Israel”.[7] Ateek tinha onze anos quando sua família perdeu sua casa em Beth-Shean na Guerra da Independência em 1948. Hoje, ele diz que os cristãos já não precisam mais reconhecer as profecias do Antigo Testamento relativas ao retorno do povo judeu à terra porque, na sua visão, elas revelam um entendimento sobre Deus que contradiz a mensagem de Jesus no Novo Testamento.[8] Ele afirma, usando uma nova e relevante interpretação das Escrituras, que: “a Bíblia pode ser reivindicada pelos cristãos palestinos”.[9]

Um Muro de Separação

À medida que a TLP avançava para se tornar a principal teologia dos cristãos palestinos, ela construiu um muro de separação entre os crentes – algo que Jesus morreu para remover (Ef 2). Com isso, é crescente a tensão entre as igrejas israelenses e palestinas.

Meno Kalisher, pastor da igreja Assembléia de Jerusalém, disse em recente entrevista: “Sempre que nosso grupo de jovens promove atividades de comunhão com outras igrejas que incluem os cristãos palestinos, eles imediatamente ouvem como Israel é o problema e o opressor do povo palestino. Como resultado disto, nossos jovens perderam o desejo de terem comunhão com os cristãos palestinos, o que é tremendamente triste”.

Infelizmente, embora o Dr. Ateek e o Sabeel Center afirmem se basear em princípios cristãos, a retórica deles não é nada diferente daquela dos palestinos muçulmanos, que incitam a violência contra Israel. Na verdade, em sua busca pela paz, Ateek não pede desculpas pelo terrorismo palestino, tampouco responsabiliza os palestinos muçulmanos pelos maus tratos aos cristãos palestinos.[10] Ironicamente, os árabes muçulmanos consideram os árabes cristãos fracos e medíocres.

Embora o Dr. Ateek e o Sabeel Center afirmem que a TLP oferece aos cristãos palestinos uma maneira nova de ler as Escrituras, a verdade é que não há nada de novo sobre ela; TLP é Teologia da Substituição. Shelley Neese, vice-presidente de The Jerusalem Connection Report, escreveu:

A Teologia da Substituição ensina que a Igreja substituiu os judeus como beneficiária das alianças de Deus. A TLP vai um passo adiante, dizendo que, para começar, os judeus jamais ocuparam um lugar de favor especial. Em alguns casos, ela apaga Israel completamente da Bíblia. Muitas igrejas palestinas que ensinam a TLP mudaram os Salmos, removendo todas as referências a “Israel” ou a “Sião”.[11]

A TLP desdenha ostensivamente as promessas eternas de Deus ao povo judeu ao manipular as Escrituras para se encaixarem em suas necessidades. Neese afirmou:

[A TLP] é um instrumento perigoso de propaganda política, astutamente empregado pelo Sabeel para minar o direito que Israel tem à terra. Enquanto isso, essa teologia anti-semita, dirigida politicamente, e vazia do Evangelho, se esconde atrás de uma fachada de paz, justiça e amor.[12]

No final, diz Meno Kalisher, quem sairá perdendo serão os próprios cristãos palestinos. “Devido à sua teologia, eles consideram Israel um inimigo e perdem as bênçãos que Deus poderia lhes proporcionar”. (Christopher J. Katulka - Israel My Glory - http://www.beth-shallom.com.br)

Christopher J. Katulka é representante de The Friends of Israel em Dallas, Texas (EUA).

Notas:

  1. Naim Stifan Ateek, Justice and Only Justice: A Palestinian Theology of Liberation [Justiça e Somente Justiça: Uma Teologia da Libertação Palestina] (Maryknoll, NY: Orbis, 1989), 64-65.
  2. Ian Linden, Liberation Theology: Coming of Age? [Teologia da Libertação: Atingindo a Maioridade?] (London: Catholic Institute for International Relations, 1997), 3.
  3. Phillip Berryman, Liberation Theology [Teologia da Libertação] (Philadelphia, PA: Temple University Press, 1987), 138-39.
  4. Shelley Neese, “Palestinian Liberation Theology” [A Teologia da Libertação Palestina], The Jerusalem Connection, www.thejerusalemconnection.us/news-archive/2007/03/27/palestinian-liberationtheology.html?pfstyle=wp.
  5. Ibid.
  6. “Palestinian Liberation Theology” [A Teologia da Libertação Palestina] Sabeel Center, www.sabeel.org/ourstory.php.
  7. Ateek, 87.
  8. Ibid., 82.
  9. Ibid., 86.
  10. Neese.
  11. Ibid.
  12. Ibid.

Publicado anteriormente na revista Notícias de Israel, maio de 2013.

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