Israel - Dividindo a Igreja, ou Definindo-a?

Stan Goodenough

Então disse o Senhor: Considerai no que diz este juiz iníquo. Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los? Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lc 18.6-8).

A pergunta dificilmente poderia ter conseqüências mais graves, portanto, não é facilmente feita. Mas ela está em aberto bem diante de nós, com crescente estridência, exigindo uma resposta.

Será que a questão de Israel (o povo e a terra) – quer sejamos a favor ou contra – está finalmente criando uma divisão irreversível na comunidade cristã global?

Para levarmos essa questão ainda mais adiante:

Será que grande número de pessoas que se consideram cristãs um dia perceberão que, ao escolherem ficar do lado das nações contrárias a Israel, de fato estão se unindo ao campo do inimigo e contra o próprio Senhor que professam amar?

Ou será que grandes números de pessoas que se consideram cristãs um dia descobrirão que, ao apoiarem Israel em face de incessantes críticas internacionais, permitiram ser enganadas, esqueceram-se do que realmente é o cristianismo e apoiaram e estimularam um regime embusteiro que abusa criminalmente de seus inimigos?

A questão não pode ser evitada, pois um profundo cisma no cristianismo – que se aprofunda cada vez mais – já existe em relação a ela.

E, inevitavelmente, ele vai se fender ainda mais.

Os Cristãos a Favor de Israel

Por um lado, temos milhões de cristãos comprometidos, que crêem que os judeus permanecem o Povo Escolhido de Deus, e que a terra de Israel permanece a Terra Prometida por Deus àquele povo.

Esses cristãos crêem que as ondas de imigração de judeus para a histórica Terra de Israel, que começaram no final dos anos 1800, e o renascimento de um Estado nacional judeu independente naquela terra, são cumprimentos de profecias bíblicas e, como tal, estão alinhadas com o plano pré-ordenado de Deus.

Eles esperam ansiosamente que essa reconstrução física seja seguida por um despertar espiritual e um reavivamento nacional em Israel, que significará “vida dentre os mortos” para toda a humanidade.

Eles crêem que todas as nações do mundo que rejeitaram a Deus virão – e já estão vindo – e se posicionarão contra Israel e contra aqueles que se colocarem ao lado de Israel.

Assim, esses cristãos entendem que a vontade e o propósito de Deus são que eles se aliem a Israel e façam sua parte em confortar, encorajar e apoiar o ancestral “povo de Deus” de inúmeras maneiras, especialmente em face de uma hostilidade sempre crescente por parte da comunidade internacional.

E eles entendem que o maior produtor dessa inimizade coesa contra Israel é a mídia noticiosa global, que descaradamente patrocina a versão muçulmana/árabe sobre a história do Oriente Médio e a posse da terra, e rejeita a versão judaico-cristã que se baseia na Palavra de Deus, nos direitos históricos e nas reivindicações do povo judeu, e na lei internacional.

De acordo com esses cristãos:

Deus deu incondicionalmente a Terra de Canaã (que inclui pelo menos toda a área que hoje está debaixo do controle israelense), exclusiva e irrevogavelmente para a descendência de Israel, o neto de Abraão.

Essa descendência perdeu o direito de viver naquela terra porque foi infiel ao Senhor. Deus, por meio da Babilônia e depois de Roma, expulsou-os de seu país, permitindo que outras nações governassem sobre a terra deles pelo tempo da duração de seu exílio. E Deus prometeu que, depois do segundo exílio, Ele os ajuntaria novamente na terra e os manteria lá.

Os judeus nunca renunciaram ao direito documental de sua terra natal histórica.

Nenhum outro grupo de pessoas jamais estabeleceu sua terra natal naquele território.

O Império Otomano perdeu essa terra (e outras) quando foi derrotado na Primeira Guerra Mundial, e os vitoriosos naquele conflito escolheram criar diferentes Estados independentes no recentemente libertado Oriente Médio. Finalmente, 21 Estados foram estabelecidos para a nação árabe. Na Declaração Balfour foi prometido o estabelecimento de apenas um pequeno Estado para a nação judaica – dentro das fronteiras de sua antiga terra, à época conhecida como Palestina.

A Liga das Nações ratificou a Declaração Balfour e, em San Remo, em 1923, estabeleceu-a?em lei internacional – lei esta que permanece até hoje, de acordo com a Carta das Nações Unidas.

A Grã-Bretanha recebeu a tarefa de supervisionar a implantação daquela lei. Para apaziguar os árabes violentamente intransigentes, que exigiam soberania sobre toda a terra, os britânicos traíram os judeus, fechando uma potencial rota de escape para os judeus europeus, mesmo quando o Holocausto já se delineava.

Como resultado da carnificina de um terço da população mundial dos judeus, as Nações Unidas votaram a divisão de uma fatia do território original da Palestina entre os judeus e os árabes, mas depois planejaram revogar aquela resolução para novamente aplacar os clamorosos Estados árabes.

O povo judeu, por sua própria iniciativa, e totalmente dentro de seus direitos, baseados em fatos bíblicos, históricos e legais, declarou a independência e o renascimento, após 2000 anos, de seu Estado Judeu independente.

Nos 64 anos desde então, o mundo árabe tem buscado repetidas vezes apagar essa realidade, forçando os israelenses a enfrentarem pelo menos uma guerra a cada década e a suportarem ataques terroristas para destruir Israel e matar seu povo, durante 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Mesmo assim, o Estado Judeu tem prosperado, evoluindo para ser uma potência econômica, tornando-se um exemplo de democracia e modelo de direitos humanos e civis no Oriente Médio.

Mas o anti-semitismo, a maior parte dele camuflado com um disfarce mais politicamente correto de anti-sionismo, tem?difamado Israel incansavelmente. Relatos diários de notícias falsas e enganosas, e favoritismos pró-Palestina, subjetivos e descarados, mascarados como jornalismo, têm sido explorados oportunisticamente pelas nações, mais interessadas em assegurar seu acesso ao petróleo árabe do que em seguir o caminho do que é correto e justo, moral e eticamente.

A Bíblia promete que Israel sobreviverá, superará tudo, prosperará e florescerá, e que, um dia, será novamente elevado à posição de destaque, como cabeça das nações do mundo, em vez do que tem sido até agora – a cauda.

A despeito disso, a Bíblia promete que Israel sobreviverá, superará tudo, prosperará e florescerá, e que, um dia, será novamente elevado à posição de destaque, como cabeça das nações do mundo, em vez do que tem sido até agora – a cauda.

Para esses cristãos, tomar o partido de Israel em tudo isso é tomar o partido dos propósitos de Deus e contra um mundo que odeia a Deus.

A fé deles significa que não podem fazer nada menos que isso.

Os Cristãos Contra Israel

Do lado oposto desses milhões estão outros milhões de cristãos professos que defendem uma convicção tão contrária à daqueles que se torna impossível uma reconciliação entre os dois lados.

Essas pessoas crêem que, já que Israel como nação rejeitou Jesus, perdeu seu status especial e já não pode afirmar ser o Povo Escolhido de Deus. Eles crêem que a “Igreja” (não necessariamente alguma denominação em particular, mas o “Corpo de Cristo” global) substituiu Israel, e que os cristãos – pela exclusão do Israel nacional – agora são os eleitos de Deus.

Essas pessoas crêem que, após a vida de Jesus na terra, e com a supressão cruel da rebelião judaica por Roma – a destruição de Jerusalém e o banimento dos sobreviventes judeus para o exílio – a Terra de Israel perdeu todo o significado no que diz respeito ao plano de redenção de Deus para o mundo; o Senhor “já não se preocupa mais com territórios”, como dizem eles.

Os judeus banidos e seus descendentes já não possuem um propósito nacional; suas esperanças de um dia retornarem à sua antiga terra não são nada mais que sonhos vãos; suas orações para retornarem foram sempre ilusórias.

Portanto, para esses cristãos, o fluxo de milhões de judeus para a Palestina (posteriormente Israel) tem sido um acontecimento por acaso; nada mais que uma reação instintiva a uma perseguição anti-semítica. E a criação do Estado de Israel em 1948 foi simplesmente uma ocorrência política – um “acidente”, como muitos afirmam – não tendo nada de profético.

Eles consideram a hostilidade do mundo contra Israel como uma resposta adequada ao “comportamento ímpio” – e cada vez mais da “ilegitimidade” – do Estado Judeu, como é veiculado incessantemente pela imprensa.

Conforme os relatos da mídia, a lista de crimes de Israel é deveras longa. Esses cristãos escolheram crer nela. Portanto, eles entendem que:

A Declaração Balfour foi um ato ilegítimo perpetrado pelo Império Britânico colonizador e, como tal, não tem nenhuma validade.

Depois da Segunda Guerra Mundial, as potências mundiais, levadas pela culpa por causa do Holocausto, realizaram a criação de um Estado Judeu em cima de “terras ancestrais árabes” à custa do povo nativo dali, a saber, os árabes.

Usando o poderio militar, Israel purificou etnicamente essas terras árabes de seus proprietários legais, estabelecendo seu Estado por meio da força e criando uma crise de refugiados palestinos através da beligerância.

Considere o seguinte: quando se trata de seus companheiros crentes, onde você se posiciona? Toma o partido dos poucos odiados, que buscam seguir o Senhor e agem motivados pela convicção de que estão alinhados com a Palavra de Deus no que se refere a Israel? Ou toma o partido das massas que negam a existência de Deus e/ou rejeitam Sua Palavra?

Não satisfeitos com o território que tinham após 1949, os israelenses se tornaram provocadores, através de repetidas agressões contra os árabes, estendendo seu controle sobre mais e mais terras, e causando cada vez maior miséria aos palestinos.

Israel é uma potência que ocupa o território palestino, e, enquanto sucessivos governos israelenses falam da boca para fora clichês sobre a paz, continuam a construir obstáculos para a paz e a tornar cada vez mais difícil a sua remoção pelas Nações Unidas.

Os árabes palestinos têm direitos nacionais históricos à Margem Ocidental e, na verdade, a todo o território atualmente sob o controle israelense. Os judeus roubaram a terra dos árabes.

Em seus esforços para suprimir os protestos legais dos árabes e os esforços dos mesmos para readquirirem as terras, as Forças de Defesa de Israel lançam mão freqüentemente do uso da força excessiva, e são culpadas de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade.

Israel rouba as terras árabes, impede os árabes de terem acesso à água, destrói as plantações de oliveiras dos árabes, levanta muros de apartheid, atira contra civis árabes, espalha AIDS e outras doenças de propósito entre as populações árabes ao redor de Israel, ameaça o mundo árabe/muçulmano com armamentos nucleares.

Destituídos de toda esperança em face da tremenda força israelense, os pobres palestinos são deixados sem nenhum recurso a não ser usar quaisquer armas nas quais consigam colocar as mãos, inclusive seus próprios corpos, para garantirem que sua justa causa não seja esquecida.

A resposta do mundo é a criação de um Estado Palestino, mas nem esta solução de negociação é aceitável para Israel. Israel prefere ter conflitos contínuos a ceder às exigências de renunciar às terras sobre as quais não tem direito algum.

Para esses cristãos, estar contra Israel é obedecer à ordem de Deus de clamar contra a injustiça e apoiar aqueles que são criminalmente oprimidos.

A fé deles significa que não podem fazer nada menos que isso.

E Quando o Dia do Julgamento Chegar?

Todos os cristãos (penso eu) crêem que está chegando o dia no qual todas as pessoas terão que prestar contas das escolhas que fizeram e de suas atitudes – e dos motivos por fazerem aquelas escolhas; por adotarem aqueles lados; por lutarem aquelas batalhas; por fazerem aquelas coisas.

Antes que esse dia chegue para cada um de nós, seria bom que considerássemos pessoalmente como e por que nos relacionamos com Israel e com o povo judeu do jeito que o fazemos.

Não seria inadequado que aqueles que se consideram cristãos crentes na Bíblia avaliassem como se sentem acerca de Israel à luz das Escrituras – e como se sentem acerca de outros cristãos que mantêm a crença oposta à deles sobre um assunto de tanto significado, que está causando divisão em famílias e em congregações do mundo todo.

No final das contas, cada um de nós deve fazer o que crê ser o certo, mas deveríamos pesar cuidadosamente nossas razões para crermos da forma que cremos.

Considere o seguinte: quando se trata de seus companheiros crentes, onde você se posiciona? Toma o partido dos poucos odiados, que buscam seguir o Senhor e agem motivados pela convicção de que estão alinhados com a Palavra de Deus no que se refere a Israel? Ou toma o partido das massas que negam a existência de Deus e/ou rejeitam Sua Palavra?

Há uma relação estreita entre tomar o partido dos crentes que amam o Senhor e tomar o partido de Deus (Lc 9.50).

E há uma distância perigosamente curta entre tomar o partido dos que são contra a nação que o Senhor diz que ama “com amor eterno” (Jr 31.3) e tomar o partido dos que são contra Deus. (Stan Goodenough - stangoodenough.com - chamada.com.br)

As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores.

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