Entrevista
Friedrich Hänssler - editor evangélico
alemão
Friedrich
Hänssler (74) foi proprietário e faz parte do conselho de uma das
maiores editoras evangélicas da Alemanha. Há algum tempo ele recebeu
do governo alemão a medalha da Ordem ao Mérito de Primeira Classe.
Os posicionamentos e as opiniões de personalidades alemãs em relação
a Israel merecem atenção e avaliação especiais.
Devemos lembrar que na Alemanha, há apenas poucas décadas, desenvolveu-se
o nazismo, que propagou a idéia da raça superior e buscou a "solução
final" da "questão judaica" com intensidade sem igual
na História. Hänssler é grande amigo de Israel. Como cristão
convicto, ele não apenas defende o direito de Israel à existência
mas acredita no cumprimento das promessas que Deus fez ao povo escolhido.
Pergunta: Senhor Hänssler, por que Israel aparece de maneira tão negativa na mídia ocidental?
Hänssler: Isso pode ser atribuído a diversas causas. Econômica e militarmente Israel é superior aos palestinos. Portanto, certamente a inveja desempenha um papel importante na questão. Além disso, quando um jornalista tem a opção de tecer comentários sobre um tanque israelense e uma criança palestina jogando pedras, os israelenses têm poucas chances [de serem mostrados numa luz simpática].
Pergunta: De que forma o senhor, como executivo e empresário, venderia a imagem de Israel ao mundo?
Hänssler: Na verdade, a política de informação israelense precisaria de muitas melhorias. Isso começa com [a falta de esclarecimentos sobre] as expressões constantemente usadas pelos palestinos: "Palestina", "territórios ocupados", etc. Os meios de comunicação estão cheios de mitos sobre Israel, que nada têm a ver com os fatos históricos reais. Acho importante difundir mais intensamente informações e dados históricos do povo judeu e do Estado de Israel restaurado. Já existe desinformação demais na mídia.
Pergunta: Qual imagem é mais fácil melhorar diante do mundo: a imagem pouco simpática de Israel ou a imagem de um líder palestino impopular?
Hänssler: Com certeza o líder palestino impopular terá o lobby mais influente. Fico admirado como isso é possível. Há anos coleciono citações extraídas de discursos de líderes palestinos. Quando dirigidas ao público ocidental, elas soam pacíficas. Mas quando são proferidas em árabe diante de seus conterrâneos, elas transmitem ódio incontido, cujo único alvo é a destruição de Israel.
Pergunta: Na sua opinião, que significado terão no futuro, com relação a Israel, os ataques terroristas do dia 11 de setembro de 2001?
Hänssler: Essa foi uma grande reviravolta na História mundial: pela primeira vez ficou visível diante de todos onde se encontram hoje as fontes do terrorismo. Também ficou demonstrado que os EUA foram atacados por serem amigos de Israel.
Pergunta: O que o senhor acha das tentativas de apresentar o conflito árabe-israelense como justificativa para o terrorismo islâmico no mundo?
Hänssler: Parece-me que muitos analistas nem sabem até que ponto esse conflito realmente tem influência sobre o terrorismo islâmico [ou é utilizado apenas como desculpa para ele].
Pergunta: Como cristão e como alemão, o senhor teme que o islã possa vir a ser um perigo para a Alemanha?
Hänssler: Penso que o islã é muito estratificado e pouco uniforme. Não creio que exista o islã. Falando de maneira genérica, penso que o perigo vem do islamismo radical. Para a Alemanha [e o Ocidente] o perigo está na falsa tolerância que nivela as grandes diferenças que existem entre a fé em Jesus Cristo e a fé em Alá. O mundo islâmico e o mundo cristão-ocidental são muito diferentes. Perigoso é o fato de se questionar e deixar de lado [no Ocidente] valores e diferenciais básicos do cristianismo.
Pergunta: Washington e a União Européia tentaram distinguir entre o "terrorismo bom" (dos palestinos) e o "terrorismo mau" (de Osama bin Laden) para manter os países árabes na coalizão antiterrorismo. Como o senhor vê isso?
Hänssler: Certamente a "diplomacia" desempenhou um papel importante na questão. Talvez essa não tenha sido apenas uma tentativa de manter a coalizão antiterrorismo mas de garantir as remessas de petróleo.
Pergunta: O senhor acredita que seja possível uma paz entre Israel e seus vizinhos árabes?
Hänssler: Teoricamente, sim, se houver conversações profundas. Dialogar sempre é melhor do que atirar nos outros. Mas, concretamente, não, pois estão em jogo poder, água e, em primeiro lugar, o reconhecimento de um país [Israel] que existe desde 1948. Enquanto não houver esse reconhecimento por parte do mundo árabe, não haverá base para uma paz duradoura. Mas eu creio no Deus de Israel, que torna possível o impossível.
Pergunta: O senhor está satisfeito com as posições do governo alemão em relação a Israel?
Hänssler: De modo geral, até agora, sim... Nosso presidente, Johannes Rau, é um grande amigo de Israel.
Pergunta: Israel não quer a União Européia como mediadora porque ela é pró-palestina. Essa afirmação do governo israelense é correta?
Hänssler: Concordo com essa afirmação. Se a União Européia tende a favorecer os palestinos, então não pode assumir o papel de mediadora. Mas aparentemente a União Européia ainda não definiu uma posição única em relação a Israel.
Pergunta: O senhor passou pela Segunda Guerra Mundial. Eu lhe pergunto: é correto os palestinos compararem os israelenses aos nazistas, dizendo que os judeus fazem hoje aos palestinos o mesmo que os alemães fizeram com os judeus há 50 anos atrás?
Hänssler: De maneira nenhuma isso é correto! Os nazistas praticaram o racismo anti-semita, tentando erradicar todo o povo judeu. Hoje, os israelenses se defendem, para preservarem o direito à existência de seu povo e de seu país. Aliás, tenho em casa uma grande coleção de caricaturas antijudaicas recortadas de importantes jornais de países árabes nos últimos dez anos. O jornal de incitação nazista "Der Stürmer" poderia ter aprendido com eles algumas coisas em termos de ódio aos judeus.
Pergunta: Parece que apenas uma pessoa, o judeu Jesus Cristo, separa os cristãos e os judeus. Como o senhor explicaria a um judeu quem é Jesus?
Hänssler: Certamente não em duas frases. Para os judeus eu quero ser, como diz o profeta Isaías (capítulo 52), aquele que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz e a salvação. O judeu Paulo vê essa como sendo uma tarefa também dos não-judeus (Romanos 10). Naturalmente estou pensando na paz que excede todo o entendimento. Jesus, o Messias, é a nossa paz. E é desse Jesus que eu quero falar a judeus e não-judeus. (Friedrich Hänssler - israel heute - http://www.Beth-Shalom.com.br)
