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terror não pode ser a arma que levará a um acordo de paz
verdadeira. |
27. Por que Israel cercou e isolou Arafat, e por que entrou com o exército em várias cidades controladas pela Autoridade Palestina? Isso não prejudica as possibilidades de um cessar-fogo e a retomada do processo de paz, dando origem a indignação e protestos?
Mais uma vez, vemos a mídia internacional, muitas instituições e muita gente aproveitando a oportunidade de demonizar Israel e seu governo. Não se viram tais manifestações, a não ser as convencionais condenações de praxe, quando homens-bomba palestinos, enviados ou tolerados por Arafat e pela AP, assassinavam, em sucessivos atentados, dezenas de civis israelenses, não como conseqüência de embates ou trocas de tiros, mas como alvos intencionais, cuidadosa e cruelmente escolhidos e visados.
Durante dias e semanas, Israel se limitou a buscar e a eliminar os assassinos, mas a mensagem foi ignorada, e os atentados continuaram. Homens-bomba, às vezes mulheres-bomba, são na verdade BOMBAS ainda mais cruéis e obscenas que as bombas convencionais, que explodem sem saber o quê estão atingindo. Os atentados suicidas visam inocentes, e os sacrificam juntamente com seus portadores, orientados, educados e induzidos a isso por seus líderes. Israel estava sob ataque sincronizado, calculado, continuado contra seus cidadãos, em festas, em jantares da Páscoa, em cafés, em supermercados.
Apesar de todos os apelos e pressões, Arafat e os líderes palestinos nada quiseram ou puderam fazer para conter a onda crescente dessa campanha de terror puro. Em ambos os casos – se não querem ou se não podem –, deixam de ser referência confiável para qualquer cessar-fogo ou acordo que leve à retomada das negociações de paz. Como confiar num cessar-fogo ou numa paz assinados por quem não quer ou não pode conter o terror?
Em entrevista no programa HardTalk, da BBC, o porta-voz do Hamas deixou escapar que Arafat nunca lhes pediu que interrompessem os atentados. Ele admitiu que seu objetivo final, por trás da exigência do "retorno" de 3,7 milhões de palestinos para o território israelense, era, obviamente, não só o estabelecimento de um Estado palestino, mas o fim do caráter judaico de Israel. Os judeus, segundo ele, poderiam viver como minoria dentro de um segundo Estado palestino, que hoje se chama Israel. Essa é a reafirmação do objetivo estratégico da OLP, que é eliminar Israel (chamado de "entidade sionista") como Estado judaico. O povo judeu voltaria a ser o único a não ter direito a um Estado-Nação (os ciganos não o querem).
Diante desse quadro, Israel (que não tem, como os palestinos, esquadrões de homens-bomba, nem quaisquer grupos que possam ser responsabilizados em seu lugar, enquanto alega "não poder contê-los"), teve de usar seu exército para tentar interromper ou reduzir o massacre de seus cidadãos. Repetidas vezes, os porta-vozes do governo afirmaram que seu objetivo não é voltar a ocupar territórios e subjugar os palestinos, mas atingir as bases e a infra-estrutura terrorista, a começar pela sua espinha dorsal, o QG de Arafat.
O que deve ficar claro para os pressurosos e indignados manifestantes, articulistas e políticos que hoje vociferam quando ontem mal murmuravam, é que Israel não tem como aceitar e não pode se permitir conviver com o terror. E o terror não pode ser a arma que levará a um acordo de paz verdadeira. Além disso, se Arafat aceita o terror, seja seu ou "dos outros", como arma sua, não tem confiabilidade para ser o estadista da paz. Ele recusou todos os apelos para condenar (em árabe, para seu povo), e não em inglês (para a mídia), os ataques terroristas. Recusou-se a fazer o que Israel foi obrigado a assumir, por mais arriscado, brutal, antipático e condenável que seja aos olhos dos que estão sempre prontos a ver em Israel e nos judeus o demônio opressor, considerando como "justos oprimidos" a quem quer que se oponha aos judeus.
Não se trata de luta contra a ocupação. A ocupação foi feita (não de um território palestino, mas jordaniano) durante uma guerra em que Israel foi atacado e se defendeu contra-atacando. Israel ofereceu imediatamente a devolução de territórios em troca de paz e reconhecimento, e os árabes recusaram. Em Camp David, no ano 2000, Israel aceitou se retirar em paz, sem um tiro ou uma bomba, de 95% dos territórios que ocupava, e Arafat recusou. Ele queria mais 3,7 milhões de palestinos dentro de Israel, para eliminar o Estado judaico sem disparar um só tiro. Israel aceita a retirada, que já começara, num contexto de paz contratual e definitiva que garanta a existência, o caráter e a convivência de DOIS Estados, sendo um judaico e o outro palestino. Arafat não quis se comprometer com isso. Que não se diga, então, que o conflito é somente o de um povo oprimido contra o opressor que o subjuga. O terrorismo palestino visa a uma retirada que poderia ser obtida pelo caminho da paz.
O caminho da paz passa pela aceitação de Israel como Estado judaico, o único possível no mundo, hoje ameaçado não só pelas bombas de quem explicitamente o quer destruir como tal, mas também pela incompreensão e pelo antagonismo dos mal-intencionados e dos inadvertidos do mundo inteiro. (© Museu Judaico/RJ, http://www.museujudaico.org.br - http://www.beth-shalom.com.br)


