Campo de refugiados palestinos no Líbano.

23. Como Israel vê a exigência palestina de que milhões de refugiados tenham "direito de retorno" para dentro das fronteiras de Israel?

Essa questão já foi abordada, em outro contexto, na pergunta número 12. O problema dos refugiados palestinos não apareceu do vácuo. Sua causa foi a recusa dos árabes em aceitar a Resolução 181 (Plano de Partilha) da Assembléia Geral das Nações Unidas, em 1947 e, conseqüentemente, a invasão do novo Estado de Israel por cinco países árabes, iniciando a Guerra da Independência de Israel, em 1948. Durante a guerra, muitos árabes na zona de batalha abandonaram suas casas, seja seguindo os chamados dos líderes árabes, ou por medo da luta, ou por temerem quanto a seu destino num Estado judaico. Se a guerra não tivesse sido imposta a Israel pelos vários países árabes, o problema dos refugiados não existiria.

Os Estados árabes (com exceção da Jordânia) mantiveram os refugiados nesse status, e não os integraram como cidadãos, de forma a usá-los contra Israel, com a finalidade de destruí-lo. De 1948 até a presente data, os refugiados têm sido confinados em campos lotados, onde vivem em pobreza e desespero, usados, sem considerações humanitárias, como base para uma reivindicação política. Nenhuma tentativa foi feita para absorvê-los na sociedade ou prover seu bem estar. Essa política foi perseguida e engendrada de forma a obter a simpatia internacional pela causa palestina. Milhões e milhões de dólares lhes foram destinados pelas agências da ONU [mas não melhoraram sua situação].

Esses milhões de refugiados mencionados pelos palestinos seriam os descendentes dos cerca de 600.000 que saíram de suas aldeias durante a guerra. Já vimos que, na mesma época, um número equivalente (cerca de 700.000) de judeus foram expulsos com a roupa do corpo, deixando atrás propriedades e fortunas, dos países árabes em que viviam: Iraque, Marrocos, Líbia, Egito, Líbano, Síria, Iêmen, etc. Com imenso esforço, sem qualquer ajuda externa, e ao contrário do que fizeram os árabes, Israel os absorveu e tornou-os cidadãos integrais, e não reclama qualquer indenização de seus países de origem.

No caso dos palestinos, uma vez que Israel não é responsável pela criação do problema dos refugiados, nem pela sua perpetuação, não pode assumir, mesmo como um gesto simbólico, sua responsabilidade por esse problema, já que tal declaração teria implicações mais longas:

a) Iria reforçar a reivindicação palestina de "direito de retorno" para áreas que são parte do Estado de Israel. A chegada de milhões de árabes em Israel (cuja população atual é de 6 milhões, dos quais 1,2 milhão são árabes), poderia acabar pela via demográfica com o caráter judaico do Estado.

b) Tal reconhecimento seria usado pelos refugiados como base para reivindicação de uma "compensação por perda de propriedade", assim como pelo "sofrimento que eles têm passado nos últimos 52 anos".

c) Iria facilitar a reivindicação, pelos países que abrigam atualmente esses refugiados, de compensação israelense pelos custos de "hospedagem" dos refugiados, quando estes mesmos países, ao invadirem o recém-criado Estado de Israel, são de fato a causa primária do problema. (© Museu Judaico/RJ, http://www.museujudaico.org.br - http://www.beth-shalom.com.br)

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