Entrevista com uma palestina
![]() |
|
Se
não fosse pela incitação das suas lideranças,
muitos palestinos prefeririam viver sob o governo de Israel - a única
democracia no Oriente Médio.
|
Pergunta: Você nasceu em Israel e foi educada na religião islâmica. Como foi sua educação em relação a Israel?
Resposta: Para nós, Israel era a terra dos judeus, mas considerávamos essa posse ilegal. Se bem que tínhamos muitos amigos judeus, que me visitavam na casa de meus pais, mesmo assim eles eram considerados parte dos ocupadores. A educação que recebi enfatizava sempre que não deveríamos esquecer nossos irmãos palestinos que vivem nos "territórios ocupados", pois somos um só povo. Na verdade, em minha casa não tínhamos nada contra o Estado de Israel, mas também desejávamos um Estado palestino para os refugiados palestinos e para os moradores da Margem Ocidental e da Faixa de Gaza. Entre nós usávamos a expressão: "Os judeus são nossos primos" (Ismael e Isaque).
Pergunta: Você foi à escola em Israel e formou-se na Universidade Hebraica de Jerusalém. Alguma vez foi prejudicada por ser de origem árabe?
Resposta: Provavelmente existem restrições em todos os países do mundo quando se é estrangeiro ou parte de uma minoria, e isso aconteceu comigo por ser árabe de nacionalidade israelense[*]. Nas escolas comuns não há problemas. Mas no momento em que alguém queria estudar algo especial como Direito, por exemplo, isso não era possível ou apenas podia ser alcançado com muitas dificuldades. Também as áreas relacionadas à segurança de Israel são inacessíveis a palestinos ou árabes.
Pergunta: Quais eram seus sentimentos pessoais em relação a Israel ou aos cristãos?
Resposta: Em minha infância e mocidade levei uma vida bastante liberal e não tinha problemas com cristãos ou judeus. Mais tarde, quando freqüentei a Universidade Hebraica de Jerusalém, cheguei a ser líder de um projeto que promovia a coexistência pacífica entre judeus e árabes.
Pergunta: Qual sua opinião sobre a OLP e o povo palestino? Eles são idênticos ou é necessário diferenciar entre um e outro?
Resposta: Mesmo que a cúpula da OLP e os funcionários islâmicos em Israel sempre afirmem o contrário, existe um abismo entre o povo palestino e a OLP. Mas quando há uma constante manipulação da opinião pública através dos meios de comunicação, o povo simples acaba acreditando em tudo o que ouve. Isso pode ser comprovado pelos acontecimentos mais recentes, quando vimos árabes de nacionalidade israelense colocando-se contra Israel de uma maneira incompreensível.
Pergunta: Na sua opinião, quais os alvos dos árabes islâmicos e palestinos? O que o Corão ensina sobre seus objetivos?
Resposta: Eu gostaria de lembrar minha resposta à primeira pergunta. Um Estado palestino sempre foi e continuará sendo o sonho dos habitantes dos chamados "territórios ocupados" e dos países árabes vizinhos. Nós, porém, como árabes israelenses, não sentíamos realmente a necessidade de um país próprio; o que sempre almejamos foi ficar em pé de igualdade com nossos concidadãos judeus. Segundo sei, o Corão não diz nada sobre um Estado palestino em solo israelense.
Pergunta: Na sua opinião, quem é culpado pelo sofrimento do povo palestino?
Resposta: Hoje sei que esse é um conflito entre a Bíblia e o Corão, que só pode ser resolvido por Jesus. Como muçulmano, mais cedo ou mais tarde acaba-se culpando os judeus.
Pergunta: Sendo palestina, como você avalia as informações da mídia sobre o conflito entre Israel e a OLP?
Resposta: Essa é uma pergunta que também respondo do ponto de vista de minha fé em Jesus: infelizmente, devo admitir que, de modo geral, o noticiário é anti-israelense.
Pergunta: Como foi que você se converteu a Jesus Cristo?
Resposta: Nunca passei por dificuldades em minha vida; na verdade, eu tinha uma vida muito boa. Mas eu sentia que alguma coisa me faltava, pois o islã não oferece futuro. Através de diversas circunstâncias tive a oportunidade de ouvir Wim Malgo, o fundador da Beth-Shalom, e de observar sua maneira de viver. Essa fé que ele vivia de forma muito prática e conversas pessoais com ele levaram-me a entregar minha vida a Jesus. Os diálogos com ele eram freqüentemente duros, pois eu fazia perguntas cínicas e provocativas sobre o Deus dos cristãos. Mas o amor que me foi demonstrado era algo novo para mim, e acabei reconhecendo a causa do meu vazio interior: faltava-me Jesus.
Pergunta: Que mudanças isso trouxe à sua vida?
Resposta: Infelizmente faltaria espaço para relatar tudo o que se tornou novo em minha vida. Já fazem 15 anos que recebi a Jesus em minha vida, e continuo admirada e pasma diante dessa graça grandiosa! Com Jesus, mesmo a origem de família rigorosamente islâmica não é problema. Hoje, diferentemente do passado, quando eu seguia o islã, minha vida tem um futuro maravilhoso!
Pergunta: Atualmente, qual é sua opinião sobre o Corão?
Resposta: Por muito tempo tentei dar sentido à minha vida cumprindo rigorosamente os mandamentos islâmicos (rezava cinco vezes ao dia, jejuava segundo os preceitos do Corão, etc.), mas isso tudo não me trazia satisfação interior. Hoje não tenho mais nenhum vínculo com o Corão, pois ele não pode ser inspirado pelo Deus da Bíblia (do Antigo e do Novo Testamento). Por exemplo, a Sura 112 (Al-Ichlas), verso 3, afirma: "[Alá] Não gerou nem foi gerado". A Bíblia, porém, diz: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16). E em Hebreus 1.5 está escrito: "Pois a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei? [Sl 2.7]. E outra vez: Eu lhe serei Pai, e ele me será Filho? [2 Sm 7.14]." Esse verso da Sura 112 basta para que eu rejeite o Corão e não o considere verdadeiro!
Pergunta: O que você pensa sobre o futuro de Israel? Será que existe uma solução política duradoura para o conflito com os palestinos? Qual seria a esperança para palestinos e israelenses?
Resposta: Só existe esperança para o futuro de Israel quando Jesus, o Messias, tiver voltado. Isso significa que não é possível conseguir uma solução política definitiva para o conflito. Jesus ama também os palestinos, e por isso é necessário orar pelos dois povos, para que ainda muitos consigam achar o caminho a Jesus, mesmo em meio ao conflito. Essa é minha oração diária, especialmente por meus familiares que, em parte, ainda vivem como muçulmanos convictos, inclusive fazendo as peregrinações a Meca, etc.
A entrevistada é conhecida da redação (seu nome não foi citado por motivos de segurança).
* Israel concedeu cidadania plena aos árabes que viviam em suas fronteiras em 1948. Os habitantes árabes dos territórios ocupados em 1967 não têm cidadania israelense. (http://www.beth-shalom.com.br)

