Deus Tanto Amou

Que maravilha é pensar que sou ternamente amado por Deus, o infinito Criador do Universo! Esse fato, se verdadeiro, é tão assombroso que nossas mentes finitas se sentem sobrecarregadas só em pensar nele. Mas, será que isso não é muito bom para ser verdade? Como posso estar certo de que Deus me ama? E o que isso realmente significa?

Quando eu era criança, cantávamos com fé infantil na Escola Dominical:

Cristo ama as criancinhas,
Deste mundo em derredor.
Amarelas ou hindus,
Esquimós ou índios nús.
Cristo ama as criancinhas com fervor.
Cristo ama as criancinhas,
Do Brasil e do Japão,
Quer loirinhas, quer de cor,
Ele as chama com amor.
Cristo ama as criancinhas como são.

Será que esse corinho favorito das crianças é bíblico? Certamente ele é!

Mães trouxeram criancinhas a Jesus e os discípulos as mandaram embora. Será que os rígidos discípulos pensavam que essas crianças não estavam entre os “eleitos”? Não, os discípulos nunca receberam tal ensino de Jesus. O problema deles era orgulho e falta de amor, as mesmas coisas das quais Cristo acusou os fariseus: “...não tendes em vós o amor de Deus” (Jo 5.42).

Jesus tomou as criancinhas nos braços e as abençoou, dizendo: “Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus” (Mc 10.14).

Cristo afirmou: “Quem me vê a mim vê o Pai...” (Jo 14.9). Portanto, sabemos que o terno amor e a compaixão que Cristo mostrou a essas crianças era a revelação do coração amoroso do Pai a todos nós.

Será possível que esse grupo particular de crianças gozava de favor especial aos olhos de Deus? Não há nenhuma indicação disso. O que Cristo fez e disse com respeito a elas só pode refletir Seu amor por todas as crianças do mundo, como diz o corinho.

Mas quando não somos mais crianças inocentes – quando sabemos que pecamos e somos responsáveis por todos os nossos pensamentos, palavras e ações? Deus ainda nos ama, mesmo que sejamos totalmente indignos do Seu amor? Será que isso é verdade? Se não é verdade, não há esperança de salvação para ninguém.

Rami Ayad
Deus chama Israel de Sua vinha e a admoesta por produzir uvas amargas, a despeito do cuidado amoroso que derramou sobre ela. Ouça o clamor do Seu coração: “Que mais se podia fazer ainda à minha vinha, que Eu lhe não tenha feito? E como, esperando eu que desse uvas boas, veio a produzir uvas bravas?” (Is 5.4).

É totalmente impossível que pecadores imperfeitos e finitos possam ser dignos do amor infinito, perfeito e santo de Deus. Se Deus nos ama, não pode ser pelo que somos, mas a despeito do que somos, e somente pelo que Ele é.

Deus é amor (1 Jo 4.8,16). Amor é a essência do Seu ser. Portanto, Ele não pode deixar de nos amar. E Deus provou esse fato ao ter dado Seu Filho amado para morrer pelos pecados do mundo.

A Escritura declara que a grande manifestação do amor de Deus é a dádiva do Seu Filho: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito... Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores... Nisto conhecemos o amor... em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele... Nisto consiste o amor... ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (Jo 3.16; Rm 5.8; 1 Jo 3.16; 1 Jo 4.9-10; etc.).

Essa verdade sobre o dom de Deus ao mundo, a respeito do Salvador, foi anunciada por ocasião do nascimento de Cristo como “boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo” (Lc 2.10). No entanto, muitos proclamam que Cristo morreu somente pelos pecados de um grupo seleto chamado “os eleitos”. Eles seriam, portanto, os únicos para os quais o nascimento de Cristo poderia ser considerado fonte de “boa-nova de grande alegria”.

Esse ensino, que está crescendo em popularidade e influência na igreja, declara que “amou o mundo de tal maneira” realmente significa “amou parte do mundo de tal maneira”. É claro que, se Cristo não morreu por todos, Deus não poderia ter amado a todos, porque a manifestação do Seu amor é a morte de Seu Filho. Não existe base bíblica para se afirmar que Deus ama ou algum dia amou aqueles pelos quais Cristo não morreu.

Alguns que se atêm a essa doutrina, contudo, tentam dizer que Deus realmente amou a todos, mas não com o amor especial que reservou para aqueles por quem Cristo se sacrificou sobre a cruz. Porém, um “amor” professado que não faz tudo o que pode para resgatar o objeto do seu amor não é amor de verdade. Seria como dizer hipocritamente aos “carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano... Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos” (Tg 2.16), sem dar-lhes o que necessitam.

Pior ainda, muitos que professam essa doutrina declaram, sem se sentirem envergonhados, que Deus predestinou multidões para o tormento eterno antes mesmo que tivessem nascido. Multidões que Ele poderia ter salvo, se assim desejasse. Eles dizem que o amor de Deus pode ser visto em Sua paciência e bondade temporal para com todos. Contudo, não importa quanto sol ou chuva ou outras bênçãos terrenas Ele possa dar a esses não-eleitos, pois seria irracional dizer que Deus os amou de alguma maneira.

Cristo declarou: “Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai” (Lc 6.36). Não se discute o fato de que devemos ser misericordiosos para com todos, até para com aqueles que nos odeiam e maltratam. Isso só pode ser assim porque Deus é misericordioso para com todos. Se não, seguindo o exemplo de nosso Pai celestial, também não precisaríamos ser misericordiosos para com todos. Nem pode ser misericórdia da parte de Deus falhar em providenciar salvação para todos que a necessitam. Portanto, podemos ter certeza de que Deus ama a todos e providenciou salvação para o mundo inteiro.

Outro corinho infantil diz:

Se eu pudesse
um só cântico entoar,
Quando vejo o Grande Rei
em Sua beleza,
Que a minha canção,
por toda a eternidade seja,
Oh! que maravilha Jesus me amar!

Realmente, que maravilha!

Paulo exultou: o “Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2.20). Como Paulo poderia estar certo de que o amor de Deus era para ele? Será que teve uma revelação especial de que estava entre os “eleitos”? Ou será que ele simplesmente aceitou um amor que a Bíblia declara ser para todos? Não há grande valor em se exultar no amor de Deus, a menos que se esteja certo de ser realmente objeto desse amor.

A multidão que se juntava para ouvir a Cristo era sempre composta por uma variedade de pessoas. Não era de apenas um grupo seleto chamado de “eleitos”! Muitos nunca creram no Evangelho e irão para o inferno. No entanto, Cristo disse a todos eles: “Amai os vossos inimigos, abençoai os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam...” (Mt 5.44). Esse mandamento era baseado na gloriosa verdade de que esta é a atitude de Deus para com todos.

Cristo declarou que mesmo os pecadores amam e são bondosos para com aqueles que os tratam bem e os amam. Certamente Deus, que é infinito em amor, não seria menos bondoso para com os pecadores e para com aqueles que se fazem Seus inimigos do que Ele nos manda ser. Vemos esse amor em Cristo, que orou ao Pai para que perdoasse àqueles que zombaram dEle e O crucificaram (Lc 23.34). Para que essa oração fosse respondida, o Pai tinha de tornar acessível, a todos que aceitassem a Cristo, o pagamento dos pecados por Ele realizado.

Inúmeros trechos das Escrituras declaram que Deus ama e deseja a salvação de todos. Tais Escrituras são habilmente postas de lado por aqueles que negam que Cristo morreu por todos. Até mesmo passagens muito explícitas, como a seguinte, são explicadas do modo deles: “o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade... o qual a si mesmo se deu em resgate por todos” (1 Tm 2.4,6).

Com respeito a esses versículos, Spurgeon declarou: “Eu estava agora mesmo lendo uma explicação desse texto e o expositor tentava apresentá-lo como se fosse: ‘o qual não deseja que todos os homens sejam salvos’... Na verdade, a passagem diz ‘o qual deseja que todos os homens sejam salvos’... Se esse é o meu desejo... muito mais é o desejo de Deus que todos os homens sejam salvos; porque, com certeza, Ele não é menos bondoso do que nós somos” (Charles H. Spurgeon, “Salvação Pelo Conhecimento da Verdade”).

A Escritura deixa bem claro que a única razão pela qual nem todos são salvos não é porque existem os que Deus não deseja salvar, mas porque eles recusam a salvação que Ele providenciou em Cristo. Como a Lei veio para todos, da mesma forma a salvação veio para todos que quebram a Lei e, portanto, estão sob o julgamento de Deus.

Certamente os Dez Mandamentos não são para um grupo seleto, mas para toda a humanidade. De fato, Paulo declara que “os gentios, que não têm lei... mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência...” (Rm 2.14-15).

O primeiro mandamento é: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” (Mt 22.37). Não é razoável nem bíblico que Deus ordene àqueles pelos quais Cristo não morreu e aos quais, portanto, Deus não manifestou o Seu amor, que O amem de todo o coração. Como podem esses, a quem Deus não manifestou o Seu amor, ser incitados a amá-lO?

A Bíblia declara que “nós amamos porque ele nos amou primeiro” (1 Jo 4.19). A única maneira de alguém amar a Deus é em resposta ao Seu amor. Portanto, se existem pessoas pelas quais Cristo não morreu (e pelas quais, portanto, o amor de Deus não se manifestou), elas não estão sob qualquer obrigação de amar a Deus. No entanto, a todos nós foi ordenado amá-lO. Concluímos, portanto, que Cristo deve ter morrido por todos.

A Escritura nos assegura repetidamente que Cristo “é o Salvador de todos, especialmente daqueles que crêem (1 Tm 4.10). Lemos em Hebreus 2.9: “...para que [Jesus], pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem” (Hb 2.9). Isso não se refere meramente à morte física, mas à “segunda morte... o lago de fogo... que arde com fogo e enxofre...” (Ap 2.11; Ap 20.6,14; Ap 21.8). Só Deus poderia pagar a penalidade pelo mundo. Somente Ele poderia carregar os nossos pecados em Seu próprio corpo, sobre o madeiro (a cruz) (1 Pe 2.24), tirando, portanto, o pecado do mundo (Jo 1.29).

Aí está o porquê do Salvador ter que ser “o Deus forte, Pai da Eternidade” (Is 9.6). Jesus disse: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30). Para pagar a penalidade, que a Sua própria justiça requeria, por todo e qualquer pecado desde Adão até o final dos tempos, Ele teve de suportar a segunda morte, o castigo eterno da separação de Deus, por toda a humanidade que viria a existir. Foi o que Ele cumpriu sobre a cruz, naquelas horas de escuridão, quando bradou: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Sl 22.1; Mt 27.46).

Os sacrifícios em Israel no Antigo Testamento eram uma figura do sacrifício que o “Cordeiro de Deus” (Jo 1.29,36) faria de Si mesmo para satisfazer o julgamento de Deus sobre o pecado. Somente Ele poderia, “pelo Espírito eterno”, oferecer-se “a si mesmo... sem mácula a Deus” (Hb 9.14,25). Ele, “o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus” (1 Pe 3.18).

A relação de Deus com Israel apresenta uma figura do relacionamento que Deus deseja ter com toda a humanidade. Esposada com Deus, a nação de Israel cometeu adultério com muitos amantes – no entanto, Ele a instigou a voltar, prometendo que lhe perdoaria e a restauraria (Jr 3.1-4.4; etc.). O fato de Deus amar Israel e desejar abençoá-lo, não o podendo por ser povo rebelde, é repetidamente deixado bem claro nas Escrituras: “Ouve, povo meu, quero exortar-te. Ó Israel se me escutasses!” (Sl 81.8ss.), “Criei filhos e os engrandeci, mas eles estão revoltados contra mim” (Is 1.2).

Deus chama Israel de Sua vinha e a admoesta por produzir uvas amargas, a despeito do cuidado amoroso que derramou sobre ela. Ouça o clamor do Seu coração: “Que mais se podia fazer ainda à minha vinha, que Eu lhe não tenha feito? E como, esperando eu que desse uvas boas, veio a produzir uvas bravas?” (Is 5.4). Tal questão teria sido uma zombaria se Israel não estivesse agindo em desobediência consciente, mas fazendo o que Deus tinha decretado!

Cristo usou a mesma ilustração: “Pelo que disse ao viticultor: Há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não acho; podes cortá-la... Ele, porém, respondeu: Senhor, deixa-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume. Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la” (Lc 13.7-9). Os rabinos sabiam que Jesus os estava denunciando. Ao mesmo tempo, Cristo estava reafirmando a disposição de Deus de perdoá-los, se eles se arrependessem e voltassem a Ele.

“Deus amou ao mundo de tal maneira...” Que pronunciamento de Cristo! As palavras de tal maneira mostram um amor tão profundo que não se pode expressá-lo em palavras. Cristo disse: “O Pai ama ao Filho” (Jo 3.35; Jo 5.20) e Ele se refere ternamente ao “amor com que me amaste” (Jo 17.26). Esse deve ser o amor infinito.

O amor de Deus por toda a humanidade também deve ser infinito, a ponto dEle ter dado Seu Filho Unigênito para morrer por nós, para que vivamos através dEle (1 Jo 4.9). Paulo exulta “por causa do grande amor com que nos amou” (Ef 2.4). Tal grande amor, que Deus tem pelo Seu Filho, deve ser o mesmo amor que Ele tem por toda a humanidade, sacrificando Seu Filho pela salvação dela.

João exclama: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus” (1 Jo 3.1). Como é importante nos gloriarmos no amor de Deus, que o entendamos e experimentemos, e que, no poder e na segurança desse amor, o declaremos ao mundo!

Isaías afirma: “Todavia, ao Senhor agradou moê-lo” (Is 53.10). O Pai se agradou em deixar que Cristo sofresse o julgamento que nós merecíamos por nossos pecados, porque Ele nos ama. Firmemo-nos na Palavra dEle e declaremos Seu infinito amor, sem transigência, a toda a humanidade, através do Evangelho! (Dave Hunt - TBC - http://www.beth-shalom.com.br)

Dave Hunt (1926-2013). Devido a suas profundas pesquisas e sua experiência em áreas como profecias, misticismo oriental, fenômenos psíquicos, seitas e ocultismo, realizou muitas conferências nos EUA e em outros países. Também foi entrevistado freqüentemente no rádio e na televisão. Começou a escrever em tempo integral após trabalhar por 20 anos como consultor em Administração e na direção de várias empresas. Dave Hunt escreveu mais de 20 livros, que foram traduzidos para dezenas de idiomas, com impressão total acima dos 4.000.000 de exemplares.
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