Confrontando judeus que difamam judeus

Chegou a hora de traçarmos linhas vermelhas entre a crítica legítima e as iniciativas que buscam demonizar Israel.

O papel infame de Richard Goldstone como cabeça simbólico do relatório do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (UNHRC), acusando as Forças de Defesa de Israel (FDI) de crimes de guerra é apenas um exemplo de judeus proeminentes que exploram suas origens como uma maneira de caluniar seu povo. De fato, até recentemente, Goldstone era considerado um judeu respeitável, até mesmo um sionista. Ele se deixou cegar pela arrogância e pelo ego, e se permitiu ser seduzido pelos inimigos mais amargos de seu povo, dando legitimidade a uma calúnia sangrenta contra o Estado Judeu.

Diferentemente de Goldstone, a maior parte dos judeus renegados foi impulsionada pelo desespero de se livrar daquilo que eles consideravam como suas raízes étnicas e culturais repressivas. O historiador Jacob Talmon descreveu tal desvio de comportamento como “uma neurose judaica” em resposta a séculos de opressão e da condição de excluídos da sociedade.

O suposto compromisso desses judeus com valores universais e humanitários foi sempre desmentido pelos ataques extremos que eles infligiram sobre seu povo e por sua associação com patrocinadores que eram indiscutivelmente anti-semitas.

Movimentos de tais judeus surgiram durante o século XIX na esteira da emancipação. Um exemplo clássico foi Karl Marx, cujas diatribes anti-semitas se refletiram em explosões verbais como “o dinheiro é o deus zeloso de Israel; ao lado dele nenhum deus pode existir. (...) A emancipação social dos judeus ocorrerá quando a sociedade for emancipada do judaísmo”.

Na Rússia dos czares, alguns revolucionários sociais judeus até mesmo endossaram a perseguição e o massacre contra seus próprios compatriotas, na esperança de que, ao descarregarem suas frustrações sobre os judeus, as massas finalmente se voltariam contra o czar.

Seus sucessores, os membros da Yevsektsiya, a famigerada seção judaica do Partido Comunista Soviético, tornaram-se os perseguidores mais cruéis de seu próprio povo, suprimindo freneticamente todas as manifestações da vida cultural e religiosa judaica. No final, eles também foram liquidados nas campanhas anti-semitas de Stalin.

Muitos judeus de fora da União Soviética se uniram ao Partido Comunista por causa de uma convicção errônea de que ele representava a maneira mais eficiente de combater o nazismo. Mas, uma vez dentro do Partido, receberam uma lavagem cerebral, e aplaudiam à medida que o nefasto regime soviético executava seus compatriotas e institucionalizava o anti-semitismo, com o patrocínio do Estado.

Depois do Holocausto e da luta para criar o Estado de Israel, a maior parte dos judeus anti-semitas hibernou. À medida que o sofrimento dos judeus soviéticos uniu os judeus de todo o mundo em sua defesa, os poucos judeus comunistas restantes foram marginalizados.

David Ben-Gurion, o primeiro premiê do Israel moderno, um genuíno social-democrata, percebia os perigos representados pelos niilistas de esquerda. Ele se empenhou ao máximo por neutralizar os extremistas e pós-sionistas, que apenas se tornaram influentes depois que Ben-Gurion se aposentou e quando acabou a hegemonia do Mapai (Partido Trabalhista).

Hoje, a despeito de representarem uma facção pequena, a influência desproporcional de judeus extremistas anti-sionistas em campanhas globais pela demonização de Israel atingiu níveis tão altos como nunca houve.

Ironicamente, os piores elementos procedem de Israel.

Karl Marx foi um exemplo clássico de judeu renegado.

Há uma agitação frenética entre os professores universitários israelenses que abusam da liberdade acadêmica, utilizando suas universidades como plataformas de lançamento para deslegitimar seu próprio país. Neve Gordon, um professor de Ciência Política da Universidade Ben-Gurion e um típico judeu difamador de Sião, publicou sua opinião no ano passado no jornal Los Angeles Times, conclamando a comunidade internacional para boicotar Israel. Gordon, e outros como ele, financiados pelo governo israelense e por filântropos sionistas da Diáspora, tiram proveito de sua posição acadêmica para dar apoio àqueles que estão tentando destruir Israel.

Um estudo recente feito pelo Im Tirtzu (um movimento extra-parlamentar que pretende fortalecer o sionismo) afirma que mais de 90% das falsas alegações de crimes de guerra israelenses citadas no relatório Goldstone foram fornecidas por 16 ONGs que receberam perto de 8 milhões de dólares do New Israel Fund (NIF), uma organização que se dedica a promover integração social e bem-estar em Israel, encabeçada por Naomi Chazan, ex-deputada do partido Meretz. O NIF também patrocina grupos árabes-israelenses que promovem um Estado binacional e viagens de árabes-israelenses para fazerem palestras nos Estados Unidos no Dia da Independência de Israel, divulgando a “Nakba”* e conclamando os judeus americanos a usarem sua influência para substituírem a bandeira de Israel e a Hatikva (“A Esperança”, o Hino Nacional Israelense).

No ano passado, o jornal Haaretz enfatizou os relatos acusando as FDI de crimes de guerra, que foram posteriormente revelados como falsos. Esses relatos receberam uma exposição maciça na mídia global e foram uma importante contribuição na criação de um clima hostil anti-israelense precedendo o relatório Goldstone.

O corrompimento se estende à Diáspora, em que grupos anti-israelenses agora empregam porta-vozes judeus para ocultar seus preconceitos e suas parcialidades. Nos Estados Unidos, os demonizadores de Sião estão explorando a deterioração da relação entre o governo Obama e Israel. Henry Siegman, ex-diretor do Congresso Judaico Americano, descreveu Israel como “o único regime de apartheid no mundo ocidental”. Alunos judeus nos campi das universidades americanas são cada vez mais bombardeados com discursos anti-israelenses por professores judeus como Norman Finkelstein, que apóia os iranianos e o terrorismo, explorando até mesmo o sofrimento de seus pais no Holocausto para deslegitimar Israel.

No Reino Unido, o parlamentar judeu Gerald Hoffman compara o Hamas com os combatentes judeus no Gueto de Varsóvia, desconsiderando a Carta do Hamas, que declara que o Dia do Julgamento não acontecerá até que todos os judeus sejam mortos.

Na Bélgica, um judeu escritor de peças teatrais preparou o roteiro de uma peça na qual os filisteus assumem o papel dos israelenses e Sansão surge como um herói palestino usando uma jaqueta carregada de dinamite para explodir seus opressores.

Shlomo Sand, professor de Ciência Política da Universidade de Tel Aviv, alcançou status de celebridade na Europa por publicar um livro intitulado The Invention of the Jewish People [A Invenção do Povo Judeu], uma miscelânea de completos absurdos, promovendo a tese de que, sendo descendentes dos khazares** da região do Mar Negro, que se converteram ao judaísmo no século VIII, os judeus [ashkenazim] não têm afinidade histórica alguma com a Terra de Israel.

Em um recente artigo do UK Financial Times, essa posição recebeu a aprovação de Tony Judt, um historiador americano que considera a criação de Israel um erro e é favorável à formação de um Estado binacional. Sob o título “Israel Deve Desfazer Sua Mistura Étnica”, Judt expressa a esperança de que os judeus americanos se desliguem de Israel assim como os irlandeses americanos se desligaram da Irlanda.

Chegou a hora de agir – não de suprimir a liberdade de expressão, mas de traçar linhas vermelhas entre a crítica legítima das políticas governamentais e as iniciativas que buscam demonizar e deslegitimar o Estado Judeu. O primeiro passo deve ser negar o direito de estabilidade em instituições educacionais patrocinadas pelo governo a docentes que colaboram descaradamente com os inimigos de Israel.

É gratificante que deputados oposicionistas do partido Kadima no Knesset (Parlamento) estão agora solicitando o que, esperamos, se tornará uma investigação bipartidária das atividades e fontes de financiamento para o NIF e outras ONGs.

Sempre que criticados, aqueles que promovem boicotes de seu próprio país e demonizam as FDI como criminosos de guerra têm o descaramento de tentar difamar seus críticos como macartistas e fascistas, e ameaçam procedimentos difamatórios. É o comportamento deles que é moralmente repreensível, e nós não devemos nos deixar intimidar por tais táticas hipócritas.

Os israelenses e a comunidade judaica global não deveriam se iludir. É imenso o dano causado pelos judeus que colaboram com os inimigos de Israel para demonizar ou para deslegitimar seu país. A única maneira de neutralizar o impacto desses grupos de renegados é expô-los e confrontá-los. (Isi Leibler, extraído de The Jerusalem Post - http://www.beth-shalom.com.br)

* do árabe "Catástrofe": dia instituído pelos palestinos para lembrar a derrota em 1948.

**  Os judeus ashkenazim (judeus procedentes da Europa, exceto da Península Ibérica) não são descendentes dos khazares. A respeito, leia o artigo “Os Khazares e os Judeus (de Thomas Ice).

Isi Leibler é um veterano líder judeu internacional. Ele nasceu na Bélgica em 1934 e escapou do Holocausto porque sua família emigrou para a Austrália pouco antes do início da II Guerra Mundial. Leibler foi o principal líder da comunidade judaica australiana de 1978 a 1995. Ele também ocupou posições de destaque no Congresso Judaico Mundial. Atualmente, vive com sua esposa Naomi e familiares em Jerusalém. Leibler é colunista dos jornais The Jerusalem Post e Yisrael Hayom. Seu site é www.wordfromjerusalem.com.

As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores.

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